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segunda-feira, 27 de junho de 2011

pareSeres da terra - Concerto Final

Encerrou no passado dia 25 de Junho (sábado) o projecto pareSeres da terra 2011 subordinado ao tema Vitorino: Menina estás à janela. O dia foi todo ocupado com actividades relacionadas com o projecto e com a escola Conservatório do Vale do Sousa. Durante a tarde as conferências apresentadas fizeram reflectir em torno dum projecto de escola que se pretende estruturado, inovador, enraizado na sua comunidade e apelando, incessantemente, para uma necessidade de participação activa por parte de toda a comunidade, para que tal escola aconteça.
Infelizmente, terei de reconhecer que, durante a tarde, este apelo não chegou à comunidade: por falta de envolvimento dos demais parceiros: restantes professores, funcionários, pais e encarregados de educação, alunos… faltou também publicidade nos devidos locais e atempadamente: página da internete, Jornal Terras do Vale do Sousa, átrio do Auditório, mas essencialmente, faltou um acreditar de muita gente na capacidade de reabilitar o projecto. Para os cépticos, quem esteve presente terá uma reposta concludente de que o projecto não foi só reabilitado como reúne, novamente, as condições atingidas no passado para atingir a plenitude. O projecto, pareSeres da terra, é o único que se insere numa determinada filosofia de conjuntura e estrutura dentro de um princípio fundamental que se deseja para a tal escola de referência: UNIDADE!
Gostaria ainda de mencionar que, incompreensivelmente e lamentavelmente, não se entende a falta de um representante da Direcção Administrativa durante as conferências… Vitorino ao assistir à apresentação da sua vida e obra merecia, sem dúvida alguma, alguém mencionado; senão fosse por mais, por factores diplomáticos: onde está a diplomacia da Direcção Administrativa? E depois a Câmara Municipal? Provavelmente Vitorino não é um nome culturalmente suficiente interessante para merecer alguém tão importante como são os políticos. Aliás, estes só estão precisamente onde lhes interessa e sejam capazes de serem eles as estrelas… nós tínhamos outra estrela maior.
A situação exposta desta maneira até faz antever que tudo correu mal… engane-se o leitor. Não obstante os condicionamentos mencionados (condicionamentos em prol de uma verdadeira escola), o projecto pareSeres da terra 2011 saldou-se por um estrondoso sucesso. As conferências mostraram-se muito pertinentes e as intervenções de todos e de Vitorino, conferiram-lhe a devida importância, salientando-se sempre a ideia de que a música portuguesa deverá ter um lugar de destaque na escola de música. Depois o Concerto Final... bom…só visto porque não dá para contar. Toda a escola junta (só faltou a Autarquia): pais e encarregados de educação, alunos, professores… e Vitorino que assistiu ao concerto orgulhoso e emocionado com o evento tecendo rasgados elogios no final aquando da sua intervenção. E claro, era preciso terminar com música e com Vitorino a cantar com a Orquestra de Sopros do CVS; dois encores (porque só um é pouco): 1º Queda do Império; 2º Senhora Maria, com o público a cantar e a aplaudir de pé durante largos minutos. Sensações puras à flor da pele. Mais um momento inesquecível dentro dos pareSeres da terra e do projecto de escola. Têm dúvidas? Vejam e oiçam com os vossos próprios sentidos: as gravações serão disponibilizadas em CD e DVD.
Quem sabe, até para o ano.
António Pacheco

quinta-feira, 23 de junho de 2011

pareSeres da terra 2011 - Vitorino: Menina estás à janela

Realizam-se no próximo sábado dia 25 de Junho as seguintes actividades integradas nos pareseres da terra 2011: Vitorino: Menina estás à janela.

Conferências:
14,30 horas - um olhar cinco pareSeres!
Retrospectiva histórica do projecto pareSeres a terra desde 2007 a 2011.
António Pacheco
15,30 horas - Vitorino: Menina estás à janela!
Vida e Obra de Vitorino.
Associação de Estudantes do CVS

Concerto Final
21,30 horas - Obras de Vitorino (Coro de Pais, José Corvelo Lousada Big Band, Orquestras do Conservatório: Sopros e Cordas, Corus ACML).

Convida-se toda a comunidade educativa a estar presente no evento. VITORINO estará entre nós para assistir a estas actividades.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Conferência MúsicaTradicional Portuguesa


Realiza-se no próximo dia 5 de Junho às 21 horas, no Espaço AJE, uma conferência, sobre Música Tradicional Portuguesa, inserida no projecto pareSereres da terra 2009. Especialistas da matéria irão falar sobre as raízes do nosso folclore.

terça-feira, 5 de junho de 2007

pareSeres da terra

pareSeres da terra Junho 2007

14 Junho

15 horas - Conferência (Biblioteca Municipal)
As Raízes do Folclore Português: Uma Visão Etnomusicológica
Oradora: Vanessa Mateus

16,30horas - Conferência (Biblioteca Municipal)
Os Cordofones Portugueses
Orador: António Pacheco

21,30 horas - Concerto (Auditório Municipal)
Grupo Druidas - Música Tradicional Portuguesa


15 Junho

16, 00 horas - Conferência (Biblioteca Municipal)
Do Choupal até à Lpa: O Elemento Popular na Música de José Afonso
Orador: António Pacheco

21,30 horas - Concerto (Auditório Municipal)
A Obra Musical de José Afonso Reinventada

Coro de Pais do CVS; Corus ACML; Orquestra B do CVS; Orquestra de Sopros do CVS; Tuna do Lençol.

O projecto pareSeres da terra pretende ser uma proposta de revitalização da Música Tradicional/Popular Portuguesa - ocupando um lugar de destaque na Escola de Música - devolvendo-lhe a dignidade de outrora e apelando à consciência de todos para a necessidade da sua preservação e institucionalização.
A riqueza do folclore português, a música da tradição oral, as tradições e os costumes de um povo, justificam uma intervenção no sentido profundo de identificação, preservação e divulgação para as gerações vindouras. Por outro lado, pretende ser uma afirmação e singularidade de um Projecto de Escola apontando caminhos concretos de uma nova tipologia musical inserida na comunidade socio-cultural.
Os instrumentos tradicionais, nomeadamente os cordofones portugueses, alguns deles caídos no esquecimento, esperam a devolução de uma nova consciência, de um papel novamente activo na vida das comunidades de outrora e de hoje; outros, sentenciam uma morte anunciada… mas continuam como testemunho duma realidade de vidas feitas de alegrias e tristezas dos grandes dias de festa ou do simples e duro dia a dia.
Como reflexo de uma sociedade rural, hoje, em absoluta transformação, estes instrumentos constituem autenticas obras de arte etnológicas dignas de constarem no museu…no museu da vida onde continuem a dedilhar histórias e onde os jovens, num mundo cada vez mais globalizado, multicultural, cresçam em consonância com as suas referências e identidades culturais.
Neste território culturalmente abrangido pela Península Ibérica confluíram vários povos e várias culturas que até ao século XVI se influenciam mutuamente, conservando particularidades que lhe são próprias e criando, dessa forma, aspectos muito ricos, nomeadamente na música e nos seus instrumentos musicais. Estas influências são hoje referências inequívocas de um mundo multicultural que deve ser preservado e respeitado sob pena de se perder parte da identidade de um povo.
Se por um se evidencia a riqueza histórica e cultural da Música e dos instrumentos populares, por outro lado, pareSeres da terra reflecte, também, uma certa preocupação pelo desleixo a que têm sido votados pela Tutela.
Num passado recente, mais concretamente a partir da década de 70 do século anterior, por influência de um movimento geral de recuperação dos elementos tradicionais e nacionais mais significativos – para o qual contribuiu trabalhos como «Cavaquinho» (1981), «Braguesa» (1983), «O meu Bandolim» (1992), de Júlio Pereira, entre outros – a Viola Braguesa, o Cavaquinho, o Bandolim e outros instrumentos da nossa identidade cultural começaram a integrar novos grupos musicais urbanos representando o exemplo vivo de uma antiga forma renovada. Contudo, passado o ênfase, a apoteose do momento, voltou-se a cair na negligência, no esquecimento, quiçá na morte anunciada, por culpa de todos, certamente, mas muito por culpa das políticas culturais dos sucessivos governos, ou melhor, pela falta delas.
Claro que falar de pareSeres da terra é, obrigatoriamente, falar de José Afonso da sua vida, das suas experiências e vivências, da sua relação com a música da tradição oral e o seu papel de referencial despertador de consciências colectivas e de sensibilidades: o seu contributo no que concerne à abertura de novas perspectivas para a evolução da chamada Música Popular Portuguesa. José Afonso foi a fonte de inspiração e de alargamento de expressões da Música Popular Portuguesa.
Hoje, num mundo multicultural atravessando sucessivas e rápidas mudanças, é minha opinião que a reinvenção socio-cultural da Música Popular Portuguesa e dos seus instrumentos deverá passar pela Escola, na sala de aula, aproveitando a interdisciplinaridade e a transversalidade da música para a sua revitalização e integração da sociedade, toda a sociedade, de ontem e de hoje… porque é preciso pensar amanhã!


António Pacheco